Quando me vires deprimido, ansioso, mal-humorado,
tudo o que tens a fazer é tirar a roupa,
e então o sol brilha e revela-se o segredo:
que somos carne e respiramos e estamos
perto um do outro.
A tua nudez faz-me invulnerável.
A lógica podre, o coração
manchado, as gangrenadas tardes curam-se
com a simetria perfeita dos teus braços e pernas.
Estendidos fazem um círculo eterno, caminhos
de uma praia deserta, a rubrica de um Deus.
Tudo o que tu não és, tudo o que eu não sou
deixa de ter importância: a dor,
o sem sentido, o nojo, são niquices
que nada têm a ver com a vida.
Quando me vires agonizante, despe-te.
Mesmo que estivesse morto ressuscitava.
José Luis García Martín