who are you waving to?

(...)

Adeus puros de coração, carícias da minha avó,
altura do tio Frasco, tesouras de podar,
presentes do tio José e da tia Gertrudes,
cantos do avô Miguel no seu colchão de lã,
caretas da avó Ángela,
adeus mortos meus, casas de Moguer,
andares de Sevilha, ribeiras do Lado de Proserpina,
espreguiçadeira, poço, noite, estrelas.

(...)

Adeus Barbarella,
perseguida por lúbricos bispos vermelhos.
Adeus Gabriel García Márquez, já ninguém te escreverá.

(...)

Adeus Lou Reed, taciturna flor de plástico,
Sweet Jane que me fazias dançar
abraçado a uma mentira.

Adeus Godot, Wenders do céu,
Fassbinder do inferno, filmes da minha vida
dai lembranças à Fender que Jimi Hendrix queimou em Haight Ashbury,
à alma negra de Janis Joplin
a ensaiar o voo da borboleta
sobre o Trip Festival de Monterrey,
a Morrison que caiu como uma peça de dominó

(...)

Adeus paisagem, adeus pélvis de Elvis, criança
drogada arrasada pelos mesmo que te colocaram
nas brumosas e incertas montanhas de êxito e aí te deixaram abandonado.
Adeus Man Ray, adeus febre de sábado à noite.
Adeus Bee Gees,
vestidos como meninas na primeira comunhão.
Adeus suicidas, românticos,
cemitério de Père Lachaise.
Adeus ao Rei Lagarto
inchado na banheira antes de morrer de overdose.
Adeus tontos que confundistes o sagrado
pois teria sido suficiente dançar no deserto.

(...)

Adeus punk, extinta raça
que somente quiseste atravessar a rua.


Antonio Orihuela, Que o fogo recorde os nossos nomes