a prece lavada

quantos dias teus
estiveram de pousio,
no que foi o terceiro
dia de deus?

quantas sementes
colocaste de infusão
dentro do silo
onde se guarda o tempo?
a quantas árvores
deste o nome da terra?

quantas vezes a cor foi,
na tua mão,
a prece lavada
do silêncio do mundo?

o lume dos regressos,
esse estrondo de pétala
que põe claridade
na cinza do brilho,
esteve, sempre, dentro
dos teus olhos.

dizer da criação,
nunca te foi estranho,
como nenhum segredo branco
de uma ferida de luz.

que idade tinhas
quando a primeira árvore
te disse para subires?


Emanuel Jorge Botelho