Os livros dizem-me sempre para encontrar «a solidão», mas sempre investiguei os seus autores, e eles têm esposas, filhos e netos, e pertencem a fraternidades e comunidades estudantis femininas. A mensagem universalmente paternalista dos seus autores é «Tudo bem, eu encontrei alguém com quem estar, mas se tivesse ficado lá só mais um bocadinho, tinha conseguido alcançar a solidão beatífica sobre a qual escrevo neste livro». Imagino as caras desses escritores, sentados às suas secretárias a escreverem as suas trivialidades cheias de sapiência, com expressões estóicas e sábias no rosto: «Para quê sentir-se só, quando pode apreciar a solidão?»
Bolas, numa vida inteira de celibato nunca brinquei com a ideia de determinar a minha própria solidão.


Douglas Coupland, Eleanor Rigby