Com um armário, um trevo e esperança, quantas coisas podemos construir. Onze já não, porque dizer onze é com certeza doze, Andrée, doze que serão treze. Há então o amanhecer e uma fria solidão na qual cabem a alegria, as recordações, você e talvez muito mais. Há esta varanda sobre a Suipacha cheia de alvorada, os primeiros sons da cidade. Não me parece que lhes seja difícil juntar onze coelhinhos salpicados pelos ladrilhos, talvez nem reparem neles, ocupados com o outro corpo que convém tirar rapidamente dali, antes que passem por ali as crianças.


Julio Cortázar, Carta a uma rapariga em Paris em Bestiário