Muito cerrada, a neve caía do céu depositando-se nos terraços e deixando-os brancos. Olhando-a, Drogo sentia a ansiedade habitual intensificar-se; em vão tentava afugentá-la, pensando na jovem idade e nos muitos anos que tinha pela frente. O tempo, inexplicavelmente, corria cada vez mais veloz, engolindo os dias um após o outro. Bastava olhar em volta que já caía a noite, o Sol desaparecia e voltava a surgir do outro lado para iluminar o mundo coberto de neve.


Dino Buzzati, O Deserto dos Tártaros