dois rios

Aquele menino perdido na névoa
que ficou a acenar-nos no cais
aponta a giz na lousa:
nada não é parte
de outra coisa
para encontrar alguém
é preciso partir

Somos dois rios
que se afastam em silêncio
e os anos acumulam
de um pó essencial
antes de desaparecer
para nunca mais

Já se perde
na corrente fortíssima
a fixidez dos teus olhos

Até ao fim dos anos
os teus olhos 
me fixarão


Ernesto Sampaio, Feriados Nacionais