- Toda a noite, Carlos... Esta noite... Não é esta noite que tem importância. Não sei explicar-te, mas é o que ela significa, é o que está dentro de nós, lá muito oculto, e, um dia... uma noite, aquilo vem à superfície, e uma pessoa descobre que não gosta de viver. Também não gosta daquilo... Não sei explicar-te. É um inferno. 

(...) 

- Eu contei que era feliz, não sei a quem, mas contei. Eu disse-lhe que era feliz contigo. E ele respondeu-me que toda a felicidade contém elementos de frustração. Agora não compreendo, mas nessa altura compreendi. Ele explicou aquilo, falou de pólos positivos e pólos negativos... já não me lembro, Carlos. Era tão científico... tão literário! Mas a voz... aquela voz, quando a oiço, compreendo tudo. Tudo, Carlos!


Fernanda Botelho, Xerazade e os outros