nas didascálias se conhece a obra

(Os precedentes. Deus Pai, sob os traços de um ancião de idade bastante avançada, barba e cabelos brancos, olhos grandes, papudos e inexpressivos, cabeça curvada, espinha arqueada de cifótico. Enverga uma longa veste de um branco sujo, apoia-se nos ombros de dois querubins, tosse, limpa o catarro da garganta, e, arrastando os pés, entra às apalpadelas, todo curvado para a frente. Dois anjos que se encontram de pé, junto ao trono, amparam-no, enquanto os outros caem de joelhos, rosto virado para o chão, braços em cruz. Atrás de Deus Pai aparece um longo cortejo de anjos, de serafins, de guardas, de servos (todos eles mulheres ou seres assexuados). Reflecte-se-lhes no rosto o tédio, a impertinência, a preocupação e o temor. Aparecem depois algumas Irmãs da Caridade, trajadas de freiras, empunhando frascos, cobertores, escarradores, etc. Devagarinho, com infinitas precauções, o cortejo acompanha Deus Pai até junto do trono. Ajudam-no a subir os dois degraus, levantam-lhe as pernas, fazem-no dar meia volta e sentam-no devagar no cadeirão de estilo bizantino, guarnecido de ricos mosaicos. Dois anjos conservam-se de pé, diante dele, outros dois atrás, e mais um de cada lado; amparam-no, cada um por sua vez, e sustentam-no nos seus braços. Um último anjo traz as muletas.)


Óscar Panizza, O Concílio do Amor