o vaso das essências

Porque estás ao lado deles contra mim?
Não nos refugiámos neste deserto,
nem abandonámos ainda este claustro
de santos e anjos colocados.

A humidade do século,
a humildade poisa sobre o oleado. Levo-O
comigo através das ruas vazias,
Levo-O mesmo antes de eu O ver.

Porque estás do lado deles contra mim
pendurado na nave onde só a velha
mulher lembra
com as lágrimas que ninguém ouve

entre as multidões da Tua pátria e
os soldados do império.
Arde uma vela
doem os espinhos

arde o cheiro acre do vinagre.
Queimam algumas aparas do lenho onde Te renovas.
Suspenso sobre a cidade judaica
dominas em silêncio e

levas conTigo as amáveis palavras de um ladrão.
O óleo,
os incensos,
o mundo nem sequer protege a solidão das obras.



João Miguel Fernandes Jorge, Tronos e Dominações