Let me gaze into your lovely eyes, said a man to a mirror.
The mirror said nothing, but gazed back into the man's lovely eyes.
His mother said, stop tormenting the mirror.
I'm gazing into its lovely eyes, said the man.
Those are your lovely eyes, said the mother, which are not so lovely, as they are more like spyglasses than eyes.

His father said, what lovely thing are you doing to the mirror?
Tormenting it, said the man as he continued to gaze into the mirror's lovely eyes...


Russell Edson, O Espelho Atormentado
Drive, Nicolas Winding Refn, 2011
Prisoners, Denis Villeneuve, 2013
(...) Olhou o largo aonde há algumas horas o aldrabão de feira anunciava o seu produto que constituía panaceia para todos os males com o seu engraçado e enorme funil pintado de castanho. "Devia ter comprado o remédio", reflectiu com amargura. 
"Talvez o xarope curasse corações cansados de viver até às pontas dos cabelos."
E assim ficou pensativamente triste como se o vento desgrenhasse todos os escaninhos da sua alma.


Graça Pina de Morais, A mulher do chapéu de palha
Qual será a duração da viagem, e que terei de fazer agora a mim própria para aprender a controlar os meus sentimentos? Deixa a dor entrar e é quase impossível fazê-la voltar a sair.


May Sarton, Prepara-te para a morte e segue-me
The Terminator, James Cameron, 1984
The Uninvited, Lewis Allen, 1944
Tabu, Miguel Gomes, 2012

pra estas coisas não me convidam vocês #5

Breakfast at Tiffany's, Blake Edwards, 1961
há que respeitar os gatos
olhando-lhes

a cilada espiã do olhar
há que os iludir no escuro
de um sossego branco

esperar que não entendam respeitar
que não entendam

aprender o que não entendem
os gatos

se aprendeste a respeitar os gatos
aprende também a respeitar os cães
que abdicaram e são domésticos


Miguel Manso