Jean Cocteau s'adresse... à l'an 2000, Jean Cocteau, 1962
O senhor Valéry vestia sempre de negro. Ele explicava:
- Ao verem-me de preto julgam-me de luto e, por compaixão, não me enviam mais sofrimento.
E dizia ainda:
- Não se pode sofrer o dobro de muito. É essa, aliás, a única razão por que consigo ser feliz, em certos dias: o meu fato de luto engana-os. E é sempre boa a sensação de enganar os mais fortes - acrescentava, orgulhoso, o senhor Valéry, nunca se sabendo propriamente a quem se referia. O senhor Valéry, porém, insistia:
É como uma reacção química.
E desenhou
(...)
- Se de um lado se encontra tudo escuro e do outro tudo claro, a tendência é para o lado escuro oferecer escuro ao lado claro e o lado claro oferecer claridade ao lado escuro. Passado algum tmpo encontra-se um equilíbrio.
(E nessa altura o senhor Valéry fez outro desenho)
(...)
- O meu truque - dizia o senhor Valéry enquanto, distraído pelos raciocínios, vestia um fato branco - o meu truque - dizia ele - é andar sempre vestido de luto. Para atrair a alegria.
O Senhor Valéry e a lógica, Gonçalo M. Tavares
- Ao verem-me de preto julgam-me de luto e, por compaixão, não me enviam mais sofrimento.
E dizia ainda:
- Não se pode sofrer o dobro de muito. É essa, aliás, a única razão por que consigo ser feliz, em certos dias: o meu fato de luto engana-os. E é sempre boa a sensação de enganar os mais fortes - acrescentava, orgulhoso, o senhor Valéry, nunca se sabendo propriamente a quem se referia. O senhor Valéry, porém, insistia:
É como uma reacção química.
E desenhou
(...)
- Se de um lado se encontra tudo escuro e do outro tudo claro, a tendência é para o lado escuro oferecer escuro ao lado claro e o lado claro oferecer claridade ao lado escuro. Passado algum tmpo encontra-se um equilíbrio.
(E nessa altura o senhor Valéry fez outro desenho)
(...)
- O meu truque - dizia o senhor Valéry enquanto, distraído pelos raciocínios, vestia um fato branco - o meu truque - dizia ele - é andar sempre vestido de luto. Para atrair a alegria.
O Senhor Valéry e a lógica, Gonçalo M. Tavares
objects of torment
They have little use. They are best as objects of torment.
No government cares what you do with them.
Like birds, and yet so human...
They mate by briefly looking at the other.
Their eggs are like white jellybeans.
Sometimes they have been said to inspire a man to do more with his life than he might have.
But what is there for a man to do with his life?
...They burn beautifully with a blue flame.
When they cry out is like the screech of a tiny hinge; the cry of a bat. No one hears it...
Russell Edson, O Espelho Atormentado
No government cares what you do with them.
Like birds, and yet so human...
They mate by briefly looking at the other.
Their eggs are like white jellybeans.
Sometimes they have been said to inspire a man to do more with his life than he might have.
But what is there for a man to do with his life?
...They burn beautifully with a blue flame.
When they cry out is like the screech of a tiny hinge; the cry of a bat. No one hears it...
Russell Edson, O Espelho Atormentado
de como as visitas se despedem
Um convidado pode ser ainda descrito como alguém que vem a nossa casa com convite. Quem vem sem convite, é uma aranha ou a família.
(...)
Em todos os grupos de seis ou mais pessoas que vêm jantar, é razoável partir do princípio de que pelo menos quatro delas não só o detestam a si como à comida. Começará a notá-lo logo que os pratos de sopa tiverem sido levantados. Ouvir-se-á um tamborilar persistente de uma faca e um garfo. É assim que o informam, por Morse, que a sua cozinheira deve estar bêbeda. O tamborilar cresce à medida que o jantar avança e, por fim, anunciam, depois da sobremesa e ainda em código, que teriam jantado melhor se tivessem ficado em casa e comido a refeição do cão.
Groucho Marx, Memórias de um pinga-amor
(...)
Em todos os grupos de seis ou mais pessoas que vêm jantar, é razoável partir do princípio de que pelo menos quatro delas não só o detestam a si como à comida. Começará a notá-lo logo que os pratos de sopa tiverem sido levantados. Ouvir-se-á um tamborilar persistente de uma faca e um garfo. É assim que o informam, por Morse, que a sua cozinheira deve estar bêbeda. O tamborilar cresce à medida que o jantar avança e, por fim, anunciam, depois da sobremesa e ainda em código, que teriam jantado melhor se tivessem ficado em casa e comido a refeição do cão.
Groucho Marx, Memórias de um pinga-amor
muda lição
Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles
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