Com a morte me deito
Com o dia me levanto
Canta-me um pássaro no peito
Vai-me a tristeza no canto
Vai-me a tristeza no canto
Como um cavalo no prado
Seca-me a água do pranto
Deste rio desatado
Luís Pignatelli
the definition of gardening
Jim just loves to garden, yes he does.
He likes nothing better than to put on
his little overalls and his straw hat.
He says, 'Let's go get those tools, Jim.'
But then doubt begins to set in.
He says, 'What is a garden, anyway?'
And thoughts about a 'modernistic' garden
begin to trouble him, eat away at his resolve.
He stands in the driveway a long time.
'Horticulture is a groping in the dark
into the obscure and unfamiliar,
kneeling before a disinterested secret,
slapping it, punching it like a Chinese puzzle,
birdbrained, babbling gibberish, dig and
destroy, pull out and apply salt,
hoe and spray, before it spreads, burn roots,
where not desired, with gloved hands, poisonous,
the self-sacrifice of it, the self-love,
into the interior, thunderclap, excruciating,
through the nose, the earsplitting necrology
of it, the withering, shriveling,
the handy hose holder and Persian insect powder
and smut fungi, the enemies of the iris,
wireworms are worse than their parents,
there is no way out, flowers as big as heads,
pock-marked, disfigured, blinking insolently
at me, the me who so loves to garden
because it prevents the heaving of the ground
and the untimely death of porch furniture,
and dark, murky days in a large city
and the dream home under a permanent storm
is also a factor to keep in mind.'
James Tate
He likes nothing better than to put on
his little overalls and his straw hat.
He says, 'Let's go get those tools, Jim.'
But then doubt begins to set in.
He says, 'What is a garden, anyway?'
And thoughts about a 'modernistic' garden
begin to trouble him, eat away at his resolve.
He stands in the driveway a long time.
'Horticulture is a groping in the dark
into the obscure and unfamiliar,
kneeling before a disinterested secret,
slapping it, punching it like a Chinese puzzle,
birdbrained, babbling gibberish, dig and
destroy, pull out and apply salt,
hoe and spray, before it spreads, burn roots,
where not desired, with gloved hands, poisonous,
the self-sacrifice of it, the self-love,
into the interior, thunderclap, excruciating,
through the nose, the earsplitting necrology
of it, the withering, shriveling,
the handy hose holder and Persian insect powder
and smut fungi, the enemies of the iris,
wireworms are worse than their parents,
there is no way out, flowers as big as heads,
pock-marked, disfigured, blinking insolently
at me, the me who so loves to garden
because it prevents the heaving of the ground
and the untimely death of porch furniture,
and dark, murky days in a large city
and the dream home under a permanent storm
is also a factor to keep in mind.'
James Tate
as raízes sinuosas do afecto
Habito as distâncias
vivo dentro das distâncias
as tuas mãos, o teu rosto,
a claridade, que pelos teus olhos…
o mundo, que pelos teus olhos…
povoam as minhas distâncias.
Sabias?
Não. Ninguém sabe de ninguém os mundos
que cada um habita.
Falo-te. Nunca te disse.
em longas falas digo-te coisas tão particulares
de cada um de nós
de tudo em volta.
Das pequenas misérias diárias
dos pequenos nadas
do livro que se leu.
Do que se sente
do que se pressente
do que dói.
Das coisas diárias…
Do reparar nas coisas. A beleza das coisas.
Da harmonia do silêncio. A harmonia.
Das raízes sinuosas do afecto os inexplicáveis elos.
Tudo fica entre mim.
É quasi perfeito como diálogo, o nosso.
Que me responderias?
Que me poderias responder melhor
do que aquilo que te atribuo como resposta?
Na minha distância espero-te
sabendo que não sabendo tu que te espero
nunca virás.
É isso essencialmente a distância.
Aí preparo em cada dia especiais momentos
para a tua inexplicável chegada.
Maria Keil
vivo dentro das distâncias
as tuas mãos, o teu rosto,
a claridade, que pelos teus olhos…
o mundo, que pelos teus olhos…
povoam as minhas distâncias.
Sabias?
Não. Ninguém sabe de ninguém os mundos
que cada um habita.
Falo-te. Nunca te disse.
em longas falas digo-te coisas tão particulares
de cada um de nós
de tudo em volta.
Das pequenas misérias diárias
dos pequenos nadas
do livro que se leu.
Do que se sente
do que se pressente
do que dói.
Das coisas diárias…
Do reparar nas coisas. A beleza das coisas.
Da harmonia do silêncio. A harmonia.
Das raízes sinuosas do afecto os inexplicáveis elos.
Tudo fica entre mim.
É quasi perfeito como diálogo, o nosso.
Que me responderias?
Que me poderias responder melhor
do que aquilo que te atribuo como resposta?
Na minha distância espero-te
sabendo que não sabendo tu que te espero
nunca virás.
É isso essencialmente a distância.
Aí preparo em cada dia especiais momentos
para a tua inexplicável chegada.
Maria Keil
O senhor Valéry vestia sempre de negro. Ele explicava:
- Ao verem-me de preto julgam-me de luto e, por compaixão, não me enviam mais sofrimento.
E dizia ainda:
- Não se pode sofrer o dobro de muito. É essa, aliás, a única razão por que consigo ser feliz, em certos dias: o meu fato de luto engana-os. E é sempre boa a sensação de enganar os mais fortes - acrescentava, orgulhoso, o senhor Valéry, nunca se sabendo propriamente a quem se referia. O senhor Valéry, porém, insistia:
É como uma reacção química.
E desenhou
(...)
- Se de um lado se encontra tudo escuro e do outro tudo claro, a tendência é para o lado escuro oferecer escuro ao lado claro e o lado claro oferecer claridade ao lado escuro. Passado algum tmpo encontra-se um equilíbrio.
(E nessa altura o senhor Valéry fez outro desenho)
(...)
- O meu truque - dizia o senhor Valéry enquanto, distraído pelos raciocínios, vestia um fato branco - o meu truque - dizia ele - é andar sempre vestido de luto. Para atrair a alegria.
O Senhor Valéry e a lógica, Gonçalo M. Tavares
- Ao verem-me de preto julgam-me de luto e, por compaixão, não me enviam mais sofrimento.
E dizia ainda:
- Não se pode sofrer o dobro de muito. É essa, aliás, a única razão por que consigo ser feliz, em certos dias: o meu fato de luto engana-os. E é sempre boa a sensação de enganar os mais fortes - acrescentava, orgulhoso, o senhor Valéry, nunca se sabendo propriamente a quem se referia. O senhor Valéry, porém, insistia:
É como uma reacção química.
E desenhou
(...)
- Se de um lado se encontra tudo escuro e do outro tudo claro, a tendência é para o lado escuro oferecer escuro ao lado claro e o lado claro oferecer claridade ao lado escuro. Passado algum tmpo encontra-se um equilíbrio.
(E nessa altura o senhor Valéry fez outro desenho)
(...)
- O meu truque - dizia o senhor Valéry enquanto, distraído pelos raciocínios, vestia um fato branco - o meu truque - dizia ele - é andar sempre vestido de luto. Para atrair a alegria.
O Senhor Valéry e a lógica, Gonçalo M. Tavares
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