(...)
Um fio eléctrico azul a passar o céu funesto
deu-te um sinal impreciso das noites
que falta dormir, corpo enrolado na concha
de onde nunca por nunca devia ter saído.
Esboças uma pintura de oitava categoria
(dizes que é para ir bem com a minha poesia)
e seu eu vejo ali uma figura, um burro, um ancestral
sinal do mal, sou parvo, são só quadrados.
Mas tens direito à expressão, sobretudo
se é calada, nada tenho contra ela, só que já muito
a ouvi. Dá-me abraços mentirosos e quando eu
estiver a dormir, vai-te embora ver o filme.
Helder Moura Pereira, Mútuo Consentimento
este terror
O amante, o amado fazem-
- se o mesmo, não, amar é separar.
Por mais longe que um homem ande
quem o amou anda com ele, não,
o que nós temos tem este terror
e os anos pelo meio? as outras
horas que outros nos devoram?
Já não é o mesmo, a separação, o amor, não
a primeira tarde foi a última foi
depois desta, olha o coração como vai
por estas verdades aprendido, futuro, uma
vez só que seja deixa-me eu tocar-te,
eu escondo a cara, eu não digo nada,
eu digo-te devagar uma história para tu
dormires, eu vou já contigo tomar
uma bica, uma cerveja, o que tu quiseres.
Joaquim Manuel Magalhães
- se o mesmo, não, amar é separar.
Por mais longe que um homem ande
quem o amou anda com ele, não,
o que nós temos tem este terror
e os anos pelo meio? as outras
horas que outros nos devoram?
Já não é o mesmo, a separação, o amor, não
a primeira tarde foi a última foi
depois desta, olha o coração como vai
por estas verdades aprendido, futuro, uma
vez só que seja deixa-me eu tocar-te,
eu escondo a cara, eu não digo nada,
eu digo-te devagar uma história para tu
dormires, eu vou já contigo tomar
uma bica, uma cerveja, o que tu quiseres.
Joaquim Manuel Magalhães
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















